Nov 12 2008
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Cultura

No es turismo. Rinaldo de Fernandes lança romance em João Pessoa

Alainet*

Lançado nacionalmente em setembro, na Feira do Livro de Brasília, o romance Rita no Pomar (Ed. 7 Letras/RJ), de Rinaldo de Fernandes, terá lançamento em João Pessoa neste dia 16 de outubro (quinta-feira), a partir da 20h30, no restaurante Terraço Brasil, no Cabo Branco. A apresentação da obra será de Sônia Maria van Dijck Lima, professora da UFPB e doutora em Letras pela USP. Em novembro estão programados lançamentos do romance em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador.

 

O cenário paradisíaco onde se passa boa parte do romance é a fictícia praia do Pomar, no litoral sul da Paraíba. O enredo se passa ainda em São Paulo. No romance aparece um litoral paraibano cobiçado pela indústria turística, uma região onde se constrói um imenso resort. Este, porém, é apenas um aspecto do livro. O mais importante dele, conforme indica no posfácio o crítico Silviano Santiago, além da forma bem elaborada com que a história é narrada – com fragmentação, enredo não-linear e muita força na oralidade –, é a personagem Rita.

Pelo que sugere Silviano, trata-se de uma das personagens mais ricas da literatura brasileira atual ("pelo direito do gênero, é prima de Macabéa"). Silviano diz ainda que o romance de Rinaldo é "representativo da literatura atual".

Sônia van Dijck, por sua vez, escreveu sobre o romance: "Rinaldo traz para o primeiro plano as angústias e as dificuldades da condição da mulher, que, em uma sociedade marcada pelo masculino, busca afirmação e realização não só profissional e financeiramente, mas sobretudo afetiva e emocionalmente". Escreveu ainda: História típica de nossos dias?. Ou a história de sempre, que se repete com novas personagens? […] O leitor, envolvido pela fala nervosa e entrecortada por reclamações dirigidas ao cão, desconfia que Rita ainda poderá amar um sujeito que não a engane".

O que aconteceu com Rita em São Paulo e na praia do Pomar? O que ocorreu com André, seu primeiro marido de São Paulo, e com Pedro, seu segundo marido da praia do Pomar? O que eles fizeram? Afinal, que grande mistério envolve a vida da personagem? Só no final do romance o leitor vai desvendar esse mistério, vai saber quem verdadeiramente é Rita.

Rita é uma paulistana que, após um acontecimento crucial em sua vida, passa a viver na paradisíaca praia paraibana do Pomar (mora com um cachorro, seu principal interlocutor). Ela é assim interpretada por Silviano Santiago, no posfácio: "Em determinada passagem de Les mots, ao analisar o clichê que diz ser o cão o mais fiel amigo do homem, Sartre comenta que o ser humano ama os cães contra os homens.

Definitivamente contra o mundo dos homens, o romance Rita no pomar é um esdrúxulo mónologo-a-dois, em que o cachorro é mero e indispensável acessório teatral (um prop, como se diz em inglês). Nele ganha corpo e repousa uma vaga, descontrolada e desmemoriada voz narrativa feminina […]. Trata-se duma voz única ao telefone do desespero narrativo, estruturada por fios dispersos que, desalinhados, são organizados e atados pela narrativa ao acaso da fluidez miserável da vida não-vivida em plenitude. Pelo avesso da diáspora, Rita é parenta de Fabiano, e pelo direito do gênero, é prima de Macabéa. As vidas secas nossas contemporâneas são adversárias e complementares".

A trama do romance é tecida em três planos: o principal, o da interlocução da protagonista Rita com o cachorro Pet (que sugere um longo monólogo); o do diário de Rita anotado numa agenda; e ainda o de pequenos contos autobiográficos da protagonista que aqui e ali aparecem. Os três planos fragmentam a narrativa; fragmentam ao misturar o passado e o presente da personagem, formando um mosaico que reflete a angústia, a agressividade e violência de Rita, que termina sendo uma personagem complexa e, repita-se, misteriosa.

* http//alainet.org

Rinaldo de Fernandes, romancista, é contista, antologista e professor de literatura da UFPB.
 Autor de O perfume de Roberta (contos – Rio de Janeiro: Garamond, 2005) e organizador, entre outras, das coletâneas Contos cruéis (2006) e Capitu mandou flores (2008), ambas publicadas pela Geração Editorial (SP). Rita no Pomar é seu romance de estréia. 

 

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