Abr 20 2009
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Sociedad

Rivellino: “Os craques de hoje tem tudo na mão, só falta jogar bola”

Diego Graciano*

Aos 63 anos, Roberto Rivellino se emociona ao lembrar de sua rica história nos gramados, conta como nasceu seu carinho por Diego Maradona, critica às "estrelas" de hoje e opina porque a torcida perdeu admiração pela seleção comandada por Dunga.
(Habla, y de futebol, uno que llevó la suya con gloria por mucho tiempo). Primera parte, en portugués.

Ao ingressar na escolinha Rivellino Sport Center, o ar poluído de São Paulo se transforma em puro. Aqui dentro há um cheiro de admirável história cultural: fotos em preto e branco, inúmeras cartas de reconhecimento, grandes troféus. Vestido de craque (com shortinho e boné) um dos maiores jogadores do futebol se apresenta com humildade e disposto a conversar, ao contrario de outros que se acham imortais.

“Eu era um moleque, malandro, aprendi sozinho jogar na rua, infelizmente hoje acabaram os espaços para jogar na rua. Minha filosofia na escolinha não tem como objetivo formar craques, eu vejo o lado social dos garotos e garotas, fazemos um trabalho serio para as crianças não ser marginalizadas na sociedade” comenta Rivellino, sobre seu empreendimento criado há quatorze anos.

“No futebol de hoje esta fácil jogar, você faz dois gols bonitos, vai para Europa e já vale 60 milhões. Estão-se levando crianças de 12, 14 anos. Tem um moleque que esta aparecendo, Neymar, que ganha um supersalário mensal e segundo ouvi já vale 90 milhões. Ninguém sabe que acontecerá com a carreira dele, mas alguns já estão falando que joga como Pelé!” opina.

“Não me agrada o futebol atual, não tem jogadores que batem bem na bola. Douglas é hábil, pensa, mas não bate bem. Antes tinha Eder, Neto. Hoje qualquer um que chute razoavelmente já vai para a seleção brasileira, está fácil jogar lá. Kaká é craque, Robinho é craque, Ronaldinho é craque, e na hora de jogar futebol na seleção? Eles não jogam. Antigamente Tostão podia definir um jogo, hoje esses craques não vão mudar nada, o que falta é qualidade! Correr eles correm, até correm de mais, e quem corre muito não pensa.

"Falam que o futebol mudou, ok, até respeito isso, mas quem poderia imaginar que Argentina ia tomar seis da Bolívia? Que o Brasil ia trombar com Equador e Peru? com Peru eu mudei de canal e preferi assistir o tênis de Federer. Que boa partida fez o Brasil nestas eliminatórias? Eu ainda não vi. Após os jogos o Dunga se justifica ‘é a viagem’. Também acho que a escolha de Dunga como treinador esta errada, ele não tem experiencia nenhuma. Para mim, Luxemburgo é o melhor ou Muricy que vem fazendo um trabalho fantástico em São Paulo –diz Rivellino numa entrevista exclusiva.

“Antigamente eu jogava pensando que tinha que pagar meu aluguel, jogava até machucado na seleção, com o maior prazer, si renunciava perdia meu lugar porque não havia jogador ruim. Os craques de hoje dizem ‘eu não vou à seleção’ porque sabem que não perderão seu lugar, é como uma cadeira cativa, eles sabem que voltarão. Agora falam que Adriano esta com depressão. Depressão tem um cara que acorda de madrugada e trabalha coitado para tentar ganhar um salário mínimo!!" critica Rivellino às "celebridades do futebol".

"Hoje todos eles ganham muito dinheiro para resolver os problemas de sua vida, entram em campo com a cabeça tranqüila, tem personal trainer, aparelhos de alta tecnologia com seu histórico de saúde, vitaminas, nutricionista, a melhor comida nos melhores hotéis, tem tudo, então, o que eles podem reclamar?. Que pressão podem ter esses caras? Hoje tem tudo na mão! …só falta jogar bola!”.

Titular da seleção brasileira por quase dez anos (fez um total de 122 jogos) Rivellino participou em três mundiais (campeao da inesquecível seleção de 1970) esta entre os dez maiores artilheiros da história verdeamarelha.

“Quais jogadores ficaram na maior lembrança no Mundial de 2002? Dois: O Fenômeno e Rivaldo. Em 1994? Dois: Romário e Bebeto. Em 1970 lembra-se de pelo menos uns seis ou sete: Carlos Alberto, Gérson, Tostão, Jairzinho, Pelé, igual que em ’58 e ’62, então, você ali percebe uma diferença de reconhecimento. A seleção atual não tem cumplicidade com a torcida porque os jogadores não dão o retorno esperado. Acho muito difícil que alguma seleção supere a de 1970, uma equipe mágica que encantou o mundo. Tomara que o Brasil, no futuro, consiga superá-la”.

*Periodista.
Diego Graciano nació y se formó en Argentina; reside desde hace algunos años en Brasil. Es autor de Você é mulher, Marta, una biografía de la joven y ya legendaria futbolista brasileña coronada tres veces la mejor del mundo.
Mantiene una bitácora:
www.diegograciano.blogspot.com

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