Jun 30 2008
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Economía

A hora de una reforma verdadeira do mercado

Hazel Henderson*  

Hoje, a maioria dos países latino-americanos está rejeitando a fórmula dos EUA, em prol dos modelos europeu e chinês. Há alguns anos, as economias de Taiwan, Coréia do Sul e Cingapura prosperaram no modelo asiático de mercado, dirigido e regulado pelo governo. A análise é de Hazel Henderson.

O mantra de economistas, banqueiros centrais, Banco Mundial, FMI e outros consultores para países em desenvolvimento clama, acima de tudo, por uma reforma no mercado. Desembrulhando o jargão, isso significa que eles querem desregulamentação, comércio livre, privatização, moedas conversíveis, crescimento via débito e exportação e mercados de trabalho flexíveis – resumido como o “Consenso de Washington”.
 
Hoje, a reivindicação está se transformando em demanda por reformas do mercado e do capitalismo, bem como do estreito “scorecard” econômico de progresso, o Produto Interno Bruto (PIB). Stravos Dimas, Comissário Europeu do Meio Ambiente liderará a conferência Além do PIB, prevista para novembro de 2008 no Parlamento Europeu (www.beyond-gdp.eu).
 
Hoje em dia, a receita do tipo “tamanho único” para o crescimento econômico, medido pelo PIB, está sendo questionada em outros terrenos, além do social e ambiental. A razão é que a visão geral ofercida por esse modelo é falha. A cúpula do G-8 na Alemanha e os CEOs corporativos em Davos preocupam-se com o caos do clima global e o grupo US-CAP, relacionado a eles, exigem limites mandatários para a própria emissão de carbono.
 
Com o fracasso dos diálogos comerciais na OMC, a crescente lacuna entre ricos e pobres, os efeitos da globalização, a diminuição de postos de trabalho manual e, cada vez mais, de trabalho administrativo, a procura por almas conscientes continua. Não há como assegurar ao cidadão mediano que qualquer novo pensamento derivado dessas políticas esteja no horizonte.
 
Os europeus estão liderando o novo debate e já dão preferência à economia de mercado social mista. A China modificou o modelo do Consenso de Washington, criando sua própria economia social, onde os mercados são vistos como “bons servidores, mas mestres ruins”. Hoje, a maioria dos países latino-americanos está rejeitando a fórmula dos EUA, em prol dos modelos europeu e chinês. Há alguns anos, as economias de Taiwan, Coréia do Sul e Cingapura prosperaram no modelo asiático de mercado, dirigido e regulado pelo governo.
 
Administradores de fundos de pensão socialmente responsáveis e gerentes de fundos mútuos lançaram o Princípios de Investimento Responsável da ONU, representando mais de US$ 8 trilhões em ativos. O “Carbon Disclosure Project”, representando US$31 trilhões em mãos de gerentes de ativos globais, demanda a divulgação das emissões de carbono. Esses agentes financeiros estão dando um novo significado para a reforma de mercado. (veja em www.EthicalMarkets.com).
 
Eles exigem que as companhias que fazem parte do seu portfolio tenham também como foco tornar os mercados mais éticos. Aplicam o novo protocolo de prestação de contas do triple bottom line, que vai além do tradicional “single bottom line” que visa lucro, bem como melhora a governança, o desempenho social e ambiental. Isso não surpreende tanto, já que atualmente o mau comportamento das empresas está vinculado com novos riscos para o preço de suas ações no mercado: riscos de ordem social, ambiental e na reputação, mensurados por firmas de serviços financeiros como Innovest Strategic Value Advisors, Truecost e outras.
 
A Era da Informação transformou-se também numa nova Era da Verdade, em que a reputação de uma empresa, de marcas preciosas e das ações pode ser destruída em tempo real, através de informações negativas vindas de grupos de supervisão, como Corpwatch.org e Global Exchange. Investidores individuais, simpáticos aos sindicatos, ambientalistas e grupos de justiça social, estimularam essa nova definição de reforma de mercado, pois eles representam US$ 2.3 trilhões em ativos, isso só nos EUA. Até mesmo o Comitê do Nobel concedeu o Prêmio da Paz a um banqueiro dos pobres, Mohammed Yunus.
 
Tais reformas incluem uma gestão corporativa mais ética, transparente e prestadora de contas, repleta de aberturas, com marketing e propaganda responsáveis, produtos corretos do ponto de vista ambiental, cortes de salários exorbitantes e opções de ações de executivos, imposição de limites à influência exercida por meio de lobby ou política, práticas trabalhistas injustas, poluição ambiental e desperdício de recursos.
 
A ética é a grande história dos governos e dos mercados, bem como da aliança não muito ortodoxa entre os dois. A recente onda de crimes corporativos nos EUA ajudou a eleger o governador de Nova York, Eliot Spitzer. O Senado dos EUA aprovou um pacote de medidas éticas, limitando a prática de lobby, apropriação indevida e favorecimento, como resposta ao clamor público contra a corrupção. Os políticos fariam melhor se simplesmente se comprometessem, quando candidatos, a nunca trabalhar como lobistas.
 
Mesmo as fundações não estão mais imunes, uma vez que investidores socialmente responsáveis exigem que elas examinem os portfolios de ações que estão por trás das suas doações. As regras esquizofrênicas que ainda permitem que exista uma “Muralha da China” entre as decisões de investimento e de assistência são eticamente cegas.
 
A Fundação “Bill e Melinda Gates” é apenas a mais recente a ser questionada. Ela é eticamente confusa e até mesmo incoerente, como fundação. Na área da saúde, ela possui um portfolio que inclui ações de companhias de fumo, álcool, alimentos não-saudáveis e refrigerantes com alto teor de açúcar. O novo padrão preconiza que as missões sociais de uma fundação sejam complementadas pelo gerenciamento de um portfolio limpo.
 
O debate sobre ética está crescendo nos mercados globais e na elaboração de políticas, enquanto os EUA reavaliam a moralidade de uma guerra preventiva no Iraque e seus trágicos custos humanos. A proliferação nuclear, que foi além do “clube” EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Israel, incluindo agora Índia, Paquistão e provavelmente outros países, está pressionando o Tratado de Proliferação Nuclear, que prega que todos os países abram mão dessas armas.
 
A exigência por reformas alcança agora os mercados e o próprio capitalismo. Será que Adam Smith ficaria surpreso? Provavelmente não, já que ele prezava muito o dinamismo capitalista. Posteriormente, Schumpeter percebeu a evolução dos mercados como “destruição criativa”, como é vista hoje a tecnologia “perturbadora” de energia mais limpa e mais verde, bem como o uso sustentável de recursos, hoje desafiando o carvão, o petróleo e a energia nuclear.
 
Os novos valores e a inquietação com a ética, ao guiarem a evolução do capitalismo, refletem os novos imperativos do século 21 neste nosso pequeno e ameaçado planeta. A famosa “mão invisível” de Smith tornou-se agora a nossa própria mão…e não alguma força metafísica. Guiados por nossa crescente consciência humana do trabalho que fazemos neste planeta e do nosso potencial para o desenvolvimento futuro, todos os interesses de longo prazo e pessoais se tornam indivisíveis. A ética e a moralidade estão se tornando o novo pragmatismo.
 
*Escritora independente, criadora da série para TV Ethical Markets e dos Indicadores Calvert-Henderson de Qualidade de Vida, com o grupo Calvet-Henderson. É autora de 9 livros, incluindo Ethical Markets: Growing de Green Economy (2007).

 

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