Oct 3 2006
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Política

Las otras guerras. – ANARQUISTAS Y FUNDAMENTALISTAS CRISTIANOS: UNA ESCARAMUZA

Aparecida en la revista Piel de Leopardo, integrada a este portal.

fotoNeste último 20 de setembro os pittsburguenses viram em primeira mão o crescente poder do fundamentalismo cristão, já que o ultra-direitista James Dobson, fundador do “Atenção na Ação Familiar”, mobilizou 3.000 pessoas para o local onde ocorreu o benigno e sonoro encontro do “Apoio para a Família”.

Projetado como um dos principais eventos para ecoar os valores cristãos, foi na verdade um evento que significou a legitimação da ascendência da extrema-direita nos EUA, auxiliando na campanha de reeleição de Rick Santorum, e mobilizando os eleitores cristãos em geral.

Procurando unir nacionalismo, militarismo e identidade cristã, Dobson e seu grupo são apenas um, entre os numerosos grupos cristãos que estão trabalhando para a tomada do poder estatal norte-americano, em proporções cada vez maiores. A meta final que eles e outros Dominionistas Cristãos abraçam é a de um governo dominado por cristãos ativamente trabalhando para criar a versão deles de uma sociedade purificada.

O acontecimento não passou em branco, foi contestado! A seguir uma reportagem do Antifa de Pittsburgh, um grupo de antifascistas locais que organizaram um bloco “rosa-purpúreo-negro” para tentar interromper o evento e confrontar diretamente com os que lá estavam. Entre os participantes estavam anarquistas, queers radicais e aliados.

O que aconteceu

Conduzidos por uma faixa onde se lia “Esmague o Fascismo Cristão”, trinta ativistas marcharam sobre a Mellon Arena, se aglomerando na entrada do Portão 3. Entre as faixas incluíam “Alimente Dodson aos Leões”, “Foda-se os Fascistas Cristãos”, “Leões Anarquistas Contra Fascistas Cristãos” e “Resista a Normatividade-Hetero, da Terapia Reparativa da Assimilação”. As forças de seguranças e três agentes policiais tentaram parar o grupo, mas foram inúteis, já que as pessoas derrubaram completamente as portas.

Finalmente nos movemos para frente em direção à entrada principal no Portão 1, neste ponto o bloco encontrou cerca de dez seguranças e um agente policial de Pittsburgh. Desta posição, cerca de 10 metros da entrada, o bloco tentou seguir adiante encontrando duras resistências.

Os seguranças agarraram e atacaram violentamente uma pessoa que estava tentando andar em volta deles, já que eles, os guardas, buscavam parar o movimento logo adiante. Quando estavam tentando prendê-lo dois ativistas intervieram e aconteceu um confronto violento entre o bloco e os seguranças. O ativista foi solto.

Numerosos seguranças tentaram agarrar o mastro de uma bandeira vermelha e preta, mas resistimo com sucesso. Um guarda violento em particular, Jim, deu joelhadas no estômago das pessoas, socos no peito, violentamente agrediu ao menos seis pessoas e ameaçou com zombarias tal como, “vou acabar com vocês”.

Embora não preparados para o nível de violência dos seguranças, os participantes lutaram contra e responderam com quaisquer meios disponíveis. Durante a parte mais dura do confronto a polícia pittsburguense prendeu dois ativistas que tinham sido pegos por trás do resto da ação. Ninguém percebeu o que tinha acontecido até eles ficarem sentados no chão, com os rostos abaixados, sendo questionados.

Graças a uma recente decisão do sistema judiciário estatal sobre como lidar com menores acusados, os dois presos foram soltos cerca de 30 minutos depois com uma citação por conduta desordeira. Um spray de pimenta foi devolvido, porém um “dildo” [pênis de borracha] trazido como uma escora sofreu um destino diferente e foi pego pela polícia que esperançosamente fez um bom uso disso naquela noite.

Como mais policiais chegaram ao local ficou claro que o bloco não poderia alcançar o portão e os manifestantes resolveram confrontar verbalmente. Geralmente gritando na cara daqueles que tentavam entrar no evento, já que o objetivo era incomodar os participantes tanto quanto possível. Isto perturbou muitos que lá estavam, incluindo respostas desafiadoras, atrapalhadas [evitando contato nos olhos] ou com alguns compromissadamente tentando dizer para o bloco “nós somos apenas pessoas que amam a cristo e querem dar apoio às famílias”.

Estas resposta indicavam que ao menos alguns dos participantes eram ingênuos ou simplesmente inconscientes das coisas da qual estavam fazendo parte.

Uma mulher bem falante se aproximou de um manifestante para dizer que ela não era anti-gay, ao qual o manifestante respondeu dizendo se ela realmente não era, já que a presença dela neste encontro estava aprovando os pareceres e esforços de Dobson e companhia. Depois de conversar sobre a violência para proteger o evento ela indicou que oraria para a segurança dos manifestantes, e o manifestante naturalmente indicou que iria rezar para ela parar de apoiar os extremistas cristãos.

Porque fizemos o que fizemos e nossa perspectiva sobre a resistência

Dobson e o ascendente poder da direita fundamentalista cristã são reais ameaças para a nossa liberdade e a segurança pessoal e coletiva. Estas pessoas têm um grande projeto para o futuro deste país e eles estão procurando tomar e aumentar o poder, enquanto as principais correntes da esquerda não reconhecem esta ameaça e muito menos estão preparados para encará-los.

Como “queers” e “não-queers” radicais de diferentes perspectivas a única mensagem que nós estamos tentando mandar é que nossos anos de suaves apelos de ajuda acabaram. Nós iremos golpear e atacar, nós iremos nos defender contra estes que procuram nos prejudicar, nós iremos lutar pela nossa liberdade coletiva e pessoal, e o mais importante é que estamos comprometidos na organização e crescimento do nosso movimento para que o nosso destino e segurança esteja em nossas próprias mãos.

Nosso relacionamento à “presença” organizada principalmente por cristãos liberais [embora disseram que eram laicos]:

Não havia uma uniformidade de perspectiva dentro dos movimentos locais sobre como responder a este acontecimento. Predominantemente a principal corrente de cristãos liberais, sob a iniciativa da série SW do projeto “Igualdade de Casamento”, formou uma coalizão que eventualmente determinou numa variedade de acontecimentos, desde uma passeata com velas acesas a um fórum.

A parte central da mobilização deles era uma “presença” fora da Mellon Arena, que eles explicitamente declararam que não era um protesto, já que “sentir a presença” teria uma luz mais positiva. Apesar das declarações posteriores deles, nós na verdade começamos organizando antes que estivéssemos cientes de quaisquer outros esforços.

Quando soubemos de seus planos nós não unimos os esforços porque discordamos com o grupo acerca de suas escolhas estratégicas, e como um grupo incluindo não-cristãos e ateus nós nos sentimos desassossegados sobre o que nós vimos enquanto as conotações religiosas. Embora eles não fossem explicitamente um grupo cristão, a pura retórica cristã que marcava a aproximação deles estava deixando de fora muitos de nós, e o foco na autorização da igualdade de casamento [antes que sobre libertação e direitos para todos] era algo com o qual nós estávamos inconfortáveis, nos desagradava.

Sobretudo, todavia, de nossa perspectiva, respostas respeitosas não eram apropriadas dadas às naturezas do evento. Nós não queremos nossa presença para legitimar o encontro “Apoio para a Família” ou a sua mensagem. Nós não queremos que os participantes e os apoiadores deste encontro pensem a nossa oposição como fosse a de um candidato democrata contra um republicano, aonde há apenas algumas simples discórdias na política. Esse encontro foi uma ameaça à nossa liberdade e à nossa capacidade de existir.

Entretanto, nós absolutamente respeitamos o direito de eles estruturarem seus eventos como acharem melhor, mesmo se nós achamos suas diretrizes restritivas à liberdade individual, não os golpeamos nos meios de comunicação, e não desencorajamos as pessoas de participarem em suas ações. Um evento de grandes proporções como este deixa aberta a possibilidade de uma diversidade de táticas.

Bem, desde o início a coalizão adotou uma atitude claramente hostil com respeito a nossa organização, que aumentou à medida que o evento se aproximava. Nossas queixas principais a respeito de como fomos tratados não era sobre reais discórdias acerca de táticas e estratégias, mas antes sobre as ações e atitudes que os membros da coalizão adotaram para lidar com estas diferenças. Questões básicas de respeito por outros grupos/esforços e para os movimentos em que fazemos parte foram violadas.

Ações e comportamentos inteiramente impróprios dos membros da coalizão, embora não indicativo da posição oficial da coalizão, estas ações dão o tom para a interação:

– Manipulatoriamente ameaçando cancelar inteiramente o evento deles teiro seu acontecimentoupos/esforços e para os movimentos me que fazemos parte foram violados. se prosseguíssemos com nossos planos.

– Reclamando que púnhamos outras pessoas em perigo.

– Espalhando desinformações sobre nós – tal como as implicações que eles tinham nos incentivado para tomar medidas.

– Manipulatoriamente dizendo que pelo fato da coalizão deles tomar decisões por consenso, e que suas reuniões estavam abertas a todo mundo, eles de qualquer maneira tinham um direito legítimo para determinar a maneira em que qualquer evento de protesto seria estruturado.

– Interrogando quantos de nós éramos realmente “gays”

– Advertindo as pessoas sobre participar em nosso evento.

Estas coisas infelizmente geraram muita desconfiança, são desnecessárias e já tem longa data, táticas que geraram outras divisões pré-existentes dentro de nossas comunidades. Apesar disso a importante lição a tomar é a de que é criticamente importante aos radicais não cederem aos comportamentos cínicos e manipulatórios destes que deveriam ser nossos aliados.

Nós já carecemos muito dos privilégios e recursos que outros têm, precisamos também não nos moderar em detrimento de alcançar nossos objetivos. Temos nos aproximado demais, esperamos muito e lutamos duramente, muitas vezes somente para sobreviver como quem nós somos.

Organizacionalmente teve muito que se aprender deste evento. Como um novo grupo feito de individualidades de outros grupos nós não tivemos os canais de comunicação, recursos organizacionais ou conexões de pessoas que poderiam ter feito nossos esforços [como a ação!] de maneira mais suave. Com cerca de 1/3 dos participantes sendo, em geral, novos para protestos radicais, nos faltou a experiência do conflito direto de alguns “blocos” anteriores em Pittsburgh.

Muitas de nossas energias das semanas precedentes, horas e horas que de outra maneira poderiam ser gastas para planejar, foram, além disso, gastas lidando com as questões da coalizão liberal.

Algumas das coisas que nós esperamos ver ocorrerem: uma reunião pré-evento, mais técnicas criativas para gerar idéias sobre as canções, planos feitos em caso de violência policial; todos lançados terra abaixo na pressa de cuidar de outras necessidades.

Em suma nós sentimos que fizemos o suficiente com os recursos que tínhamos. Esperançosamente com os contatos feitos neste evento e as lições que aprendemos, a próxima vez pode ser ainda mais efetiva.

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Em Solidariedade, Pittsburgh Antifa: www.antifa.activeresistance.org.

Tradução: Marcelo Yokoi.

Addenda

James Dobson (1936) es un psicólogo y activista conservador; su programa radiofónico, Focus in Family (El foco en la familia) es fama que lo escuchan en 164 países más de 150 millones de personas cotidianamente. Afiliado a una iglesia evangélica. La población de la localidad de Pittsburgh es –en términos de religión– mayoritariamente católica y presbiteriana.

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