Oct 10 2007
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Economía

PATERNALISMO CORPORATIVO

Aparecida en la revista Piel de Leopardo, integrada a este portal.

‚ÄúOnde quer que voc√™ veja um neg√≥cio de sucesso, pode acreditar que ali houve, um dia, uma decis√£o corajosa.‚ÄĚ

Pete Drucker

O fen√īmeno √© observado geralmente em pequenas empresas. Um funcion√°rio rec√©m-admitido, ao t√©rmino de sua primeira semana de trabalho, vai ao encontro do diretor. Adentra a sala meio cabisbaixo, trazendo nas m√£os contas de luz e √°gua atrasadas, e a not√≠cia: o corte no fornecimento n√£o passa do dia seguinte.

Desempregado que esteve nos √ļltimos meses, sente-se hoje feliz com a oportunidade de trabalhar. Mas como as despesas familiares n√£o d√£o tr√©gua e dinheiro emprestado √© mercadoria escassa, n√£o v√™ alternativa diferente de solicitar ao patr√£o um adiantamento salarial.

O empres√°rio recebe as tais contas, acessa a internet, faz o pagamento e imprime os comprovantes. Aquela agonia acabou. Um motivo a menos para ang√ļstia.

Mas o que denota uma ação admirável e até socialmente responsável, pode simbolizar um preocupante padrão de conduta na gestão dos negócios: o paternalismo corporativo.

O empres√°rio ou executivo que faz da exce√ß√£o uma regra, atendendo a todas as demandas de sua equipe, coloca em risco a perenidade e o sucesso do pr√≥prio neg√≥cio. Neste processo, cargos e fun√ß√Ķes atribu√≠dos deixam de ser respeitados, metas carecem de ser cumpridas, resultados ficam comprometidos. Decorre um natural relaxamento e acomoda√ß√£o, redu√ß√£o de responsabilidades, perda de produtividade, aus√™ncia de empenho.

A postura assemelha-se a de um pai superprotetor, que acolhe os filhos, enla√ßando-os e reconfortando-os diante das dificuldades, tomando-lhes a frente em todas as decis√Ķes. Acreditam estar, desta forma, contribuindo com sua forma√ß√£o, sem perceber que os est√° privando do aprendizado necess√°rio, da experi√™ncia que precisa ser vivida, da dor que pede enfrentamento para fortalecer e elevar.

Este paternalismo pode representar metas de vendas n√£o atingidas por sucessivos meses, sob a alega√ß√£o de que o mercado est√° em momento adverso ou porque a conjuntura econ√īmica √© desfavor√°vel, quando o problema pode estar na equipe que deveria ser substitu√≠da. Pode significar problemas de qualidade no processo produtivo justificadas pela proced√™ncia das mat√©rias-primas ou por mau uso dos clientes, quando os padr√Ķes e procedimentos deveriam apenas ser seguidos. Pode expressar colaboradores desmotivados justificando insatisfa√ß√£o com a remunera√ß√£o ou a pol√≠tica de benef√≠cios, quando h√° car√™ncia de profissionais com orgulho de pertencer.

Aos gestores que se identificam dentro deste perfil vale meditar sobre o porqu√™ de tal comportamento. Pode ser fruto de inseguran√ßa, sinalizando o imperativo da aceita√ß√£o e do reconhecimento, ou reflexo de arrog√Ęncia, caracter√≠stica dos orgulhosos que se acreditam donos da palavra. Para os primeiros, falta-lhes a iniciativa; aos segundos, a humildade. Para todos, recomenda-se tomar decis√Ķes com coragem, sem confundir apoio com subservi√™ncia, pois as conseq√ľ√™ncias podem ser a paralisia, o atraso e a fal√™ncia da atividade empresarial.

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* Tom Coelho, com formação em Economia pela FEA /USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA.

tomcoelho@tomcoelho.com.b.

tomcoelho.com.br.

El columnista dar√° una serie de conferencias y talleres en Portugal entre el 12 y 14 de diciembre de 2007.
Más información: www.evoluitech.pt.

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