Dic 29 2005
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Sociedad

UN CIERTO TERRORISMO EN AMÉRICA LATINA

Aparecida en la revista Piel de Leopardo, integrada a este portal.

Circula en Brasil –y fuera de Brasil– un correo electrónico (“spam”) que liga una hipotética intención deshonesta del gobierno de ese país con la acción gubernamental de Chávez en Venezuela.

Tras la primera vuelta de la elecciones presidenciales en Chile, la candidata señora Bachelet denunció una suerte de campaña del terror en su contra. El asunto fue desestimado, naturalmente, por el comando de su adversario, señor Piñera. Al fin y al cabo es mujer y –se sabe– las mujeres son criaturas débiles, inferiores, para el machismo imperante.

Se quejan también los partidarios del presidente venezolano Hugo Chávez: gobernamos bajo una campaña del terror, afirman. Lo que es compartido por no pocos analistas imparciales. Lo cierto es que circulan informaciones dando cuenta de “una gran cantidad” de periodistas opositores en las cárceles de la “dictadura bolivariana”. Los observadores internacionales no han encontrado a esos presos ni hay medios de prensa clausurados por esa razón.

Uno de esos correos* llegó a Piel de Leopardo bajo el epígrafe de Carta de un amigo; en él se hace una referencia a un portal internet llamado Ternuma** y se sindica como autor a un general de División cuyo nombre es Murillo Neves Tavares Silva.

La lectura del documento, escrito en portugués, arroja motivos de reflexión. Su texto, sin quitar ni poner una coma, es el siguiente:

Carta de um amigo

Recebi, há dois dias, carta de uma pessoa muito amiga e de minha
absoluta confiança. Achei interessante reproduzir alguns de seus
trechos, porque podem servir como termo de comparação com o que se pretendeu aqui e ainda se pretende, mesmo que de forma aparentemente mais suave.

Não fossem as denúncias do Sr Roberto Jefferson, quem sabe o andamento das coisas não estivesse mais adiantado. É importante considerar que o Sr Marco Aurélio Garcia (ministro das Relações Exteriores de fato e homem da intimidade do Sr Lula) sempre é citado como o nosso principal interlocutor com o iluminado bolivariano Hugo Chavez, o qual, por sua vez, tem o imortal e imoral comandante Fidel Castro (que ilumina o sorriso de todas as jornalistas que o entrevistam, como se entrassem em cio político ao vê-lo) como principal parâmetro político.

Além da comparação, sirva a leitura como um sinal de alerta, particularmente para os senhores comandantes militares.

Aí vão os pedaços mais interessantes da missiva:

Estive na Venezuela nesses últimos dois dias. Que tristeza. É um país muito rico em recursos naturais e bonito como o Brasil. Caracas é uma cidade confusa, com muitos carros velhos nas ruas, pois um tanque de gasolina custa só US$ 2.00 (algo como 4.000 bolívares). Os bairros
bonitos têm uma boa qualidade de vida, contrastando com muita pobreza
por toda parte, com favelas bem brasileiras.

O país sempre sofreu com muita corrupção pública financiada pelos excedentes do petróleo. As classes alta e média-alta preferiram, por muitos anos, não se envolver em solucionar a pobreza e a corrupção, fecharam os olhos e foram passear em Miami.

A baixa moral dos políticos, o contraste entre pobres e ricos e
o não ativismo dos que possuíam alguma coisa foram as causas da atual
Revolução Bolivariana. É compreensível que um Messias, como o Chavez,
tenha arrebatado as eleições, fraudadas ou não.

Os sinais da cubanização estão em todas as partes. O aparato de segurança é opressor, e o incentivo para que os estrangeiros vão ao
país e regressem são mínimos. Para embarcar no avião de regresso,
passei por sete pontos de controle, um deles inclusive com revista física. Há homens fardados na televisão e nos outdoors das cidades (estive em quatro delas); eles possuem cargos orwelianos, como Ministro da Alimentação ou Administrador Municipal.

São nove canais de televisão estatais e todos os canais e rádios têm que apresentar pelos menos 5 horas diárias de programação independente, com conteúdo autorizado pelo executivo. Há lei da mordaça e censura para todo o resto da programação.

(Parêntese meu: não podemos nos esquecer da tentativa de intervenção na ANCINAVE e, também, que o Sr Lula disse que na Venezuela havia excesso de democracia com o companheiro Chavez).

É proibido fazer câmbio sem que tomem sua foto e suas digitais,
em casas de câmbio monitoradas pela segurança pública.

O governo avança fortemente sobre a iniciativa privada. Estabeleceu uma rede de supermercados que só vende produtos importados de
baixo custo e subsidiados, por ele, em 30%, tornando impossível a
qualquer empresário competir. Há congelamento de preços para grande parte dos bens de consumo e a rentabilidade das empresas está chegando perto do negativo.

Alguns setores, como o da farinha de milho (cada um dos venezuelanos consome 300 gramas ao dia), estão quebrados. O empresário não pode fechar a fábrica, porque o governo a desapropria imediatamente; isso aconteceu com um deles, que é o segundo mais importante do país. O primeiro, Gustavo Cisneros, já vendeu a maior parte do que tinha e se foi há tempos.

O governo também altera as leis de maneira a perpetuar-se. Chavez, agora, não só fala em reeleição como afirma que ficará no poder até 2031. Paga os votos dos deputados e altera, continuamente, o sistema
eleitoral, conseguindo uma maioria constante de deputados, mantidos à
base de mensalão, independentemente de partidos. Para não ter que
fraudar as eleições, agora começou a distribuir vales-alimentação, para os funcionários públicos comprarem nas lojas do governo. Promete ampliar isso para todos os venezuelanos.

Os grandes empresários e os pequenos empreendedores (cujos comércios são afetados pelas lojas do governo) estão somente esperando o momento para a total desapropriação de seus negócios. Por enquanto não podem vendê -los ou fecha- los. Têm medo que se lhes impeça até de viajar para fora. Estão presos em seus castelos, esperando os bárbaros sem poder armar suas defesas.

Que terror pensar que a lei da mordaça e o mensalão foram tentativas do PT de cubanizar o Brasil.

Diante da clareza do que foi exposto – e devo dizer que por pessoa de nível universitário e com mestrado no exterior – pouco adiantaria acrescentar comentários. Só manifesto minha surpresa com a
veneração de alguns setores petistas, em particular o próprio Sr Lula, em relação a esse tal de Hugo Chaves, destrambelhado ilusionista e filhote do mais sanguinário ditador que a América Latina já viu, que é Fidel Castro. Acresça-se que tampouco a nossa imprensa tem dado o merecido destaque às irrefletidas posturas desse bolivariano de araque.
Impressionante, em nosso Brasil, como alguns aventureiros têm lugar de destaque.

Remember Ronald Biggs, o grande ladrão do trem de Sua Majestade
Britânica.

Brasília, DF, l5 de novembro de 2005.

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Addenda necesaria

El mensaje concluye con la autorización para reproducir, imprimir y divulgar su contenido, a condición que no se elimine el nombre de su –presunto o real– autor, el ya mencionado general Tavares Silva. Se pide además la mención de Ternuma, “Regional Brasília”.

*Aparece como remitente del correo electrónico un (im)probable funcionario estatal –a juzgar por la casilla electrónica desde donde se envió– (Paulo Valerio Costa –paulo.costa@cptm.sp.gov.br–).

Cuesta creer que un funciionario estatal, brasileño o de cualquier país, participe de la deshilachada audacia –datos probables, datos inciertos y conclusiones antojadizas–, de ahí nuestra caracterización de “(im)probable”.

** Ternuma es un portal internet brasileño al que es posible calificar como de nacionalismo ultraderechista. Su URL es: www.ternuma.com.br.
En su página de entrada luce la imagen de apertura. No hemos ubicado en la red la –también mencionada– Regional Brasilia. Ternuma es una sigla: Terrorismo nunca más.

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