Dic 8 2005
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Sociedad

LOS KRENAK: SER INDIO EN BRASIL

Aparecida en la revista Piel de Leopardo, integrada a este portal.

Comunicado:

povo krenak fecha estrada de ferro Vitória-Minas

1. A Terra Krenak

Nós, do povo Krenak, somos habitantes imemoriais do Vale do Rio Doce, região leste de Minas Gerais. Contamos hoje com uma população estimada em 250 pessoas.

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Ap√≥s anos de guerras com os colonizadores fomos aldeados pelo Servi√ßo de Prote√ß√£o ao √ćndio (SPI), em 1910, em uma √°rea de 4 mil hectares na margem esquerda do Rio Doce, no atual munic√≠pio de Resplendor, MG. Mesmo assim, os conflitos continuaram e por duas vezes (1959 e 1972) fomos retirados de nossas terras pelos governos federal e estadual, o que resultou numa grande dispers√£o do nosso povo para os estados de S.Paulo, Mato Grosso e outras regi√Ķes de Minas Gerais.

Em 1972 fomos transferidos para a Fazenda Guarani, no município de Carmésia (MG) e nossas terras entregues a fazendeiros. Somente em 1997 conseguimos retoma-las. Porém, a degradação ambiental é total, devido aos longos anos de exploração das terras por atividades agropecuárias e extrativistas.

Entretanto, uma importante √°rea do antigo territ√≥rio Krenak, a regi√£o conhecida como Sete Sal√Ķes, at√© hoje n√£o foi demarcada, apesar de constantemente reivindicada por n√≥s. Esta √°rea, localizada na margem direita do Rio Doce, foi ilegalmente transformada em unidade de conserva√ß√£o com o nome de ‚ÄúParque Estadual Sete Sal√Ķes‚ÄĚ. Em 2004 a FUNAI assumiu compromisso com o nosso povo e perante o Minist√©rio P√ļblico Federal-MG, de criar Grupo T√©cnico(GT) com o objetivo de iniciar os trabalhos de demarca√ß√£o desta terra ind√≠gena, mas recuou diante dos interesses contr√°rios do governo de Minas Gerais.

foto2. A CVRD x Povo Krenak

A Companhia Vale do Rio Doce ‚ÄďCVRD foi e continua sendo uma das grandes respons√°veis pelo nosso sofrimento. A constru√ß√£o da Estrada de Ferro Vit√≥ria Minas, no in√≠cio do s√©culo passado, propiciou a entrada maci√ßa e desordenada de trabalhadores e fazendeiros na regi√£o.

As consequ√™ncias foram o r√°pido desmatamento, a invas√£o das nossas terras, e conseq√ľentemente persegui√ß√Ķes e morte de fam√≠lias inteiras, quase levando ao genoc√≠dio e etnoc√≠dio do nosso povo. Al√©m disso, a extra√ß√£o ininterrupta do min√©rio de ferro, por v√°rias d√©cadas, t√™m provocado a polui√ß√£o e a degrada√ß√£o do Rio Doce, reduzindo a pesca e trazendo doen√ßas para n√≥s e toda a popula√ß√£o do Vale do rio Doce.

3. O consórcio da UHE Aimorés x Povo Krenak

Nos √ļltimos anos o nosso povo est√° sofrendo os problemas causados pela Usina Hidrel√©trica de Aimor√©s (UHE). Estudos comprovaram v√°rios impactos negativos para o nosso povo e a nossa terra, mas o cons√≥rcio construtor da usina (CVRD e CEMIG) rompeu o di√°logo com a nossa comunidade, suspendendo as discuss√Ķes sobre as compensa√ß√Ķes e indeniza√ß√Ķes devidas.

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Diante de tudo isso, decidimos fechar a Estrada de Ferro Vit√≥ria-Minas at√© que as nossas reivindica√ß√Ķes abaixo sejam atendidas:

1. Que a FUNAI constitua imediatamente um Grupo T√©cnico (GT), para a identifica√ß√£o do Sete Sal√Ķes como Terra Ind√≠gena Krenak;
2. Que o cons√≥rcio da UHE Aimor√©s retome imediatamente o di√°logo com a nossa comunidade com o objetivo de definir as compensa√ß√Ķes e indeniza√ß√Ķes devidas;
3. Que seja iniciado o diálogo entre a CVRD e nossa comunidade para entendimentos quanto aos impactos causados pela construção da ferrovia.

Aldeia Krenak, dezembro de 2005

Associação Indígena Krenak.

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