Feb 8 2005
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Opinión

Polvo en el viento

Aparecida en la revista Piel de Leopardo, integrada a este portal.

Dentre tantos outros eventos similares, o mundo tem assistido a trag√©dias provocadas por homens contra homens, ou melhor, por homens contra homens, mulheres e crian√ßas. Atentados que ceifam vidas, contadas uma a uma, contabilizadas. Vidas perdidas por obra do ocaso, por a√ß√£o de pessoas que tinham outros prop√≥sitos que n√£o vida: prop√≥sitos econ√īmicos, pol√≠ticos, religiosos.

 
Agora, a trag√©dia que nos afligiu recentemente na √Āsia foi promovida pela natureza. Nela, as vidas perdidas n√£o s√£o contadas uma a uma, mas √†s centenas, aos milhares. N√£o se sabem quantas se foram, nem quantas ir√£o. N√£o se pode mensurar a amplitude da dor, seu efeito multiplicador, geom√©trico. Faltam urnas, mas n√£o faltam valas; faltam mantimentos e medicamentos, mas n√£o faltam l√°grimas; n√£o falta sofrimento, mas tamb√©m n√£o falta solidariedade.

 
Pessoalmente, estou n√£o apenas em luto, mas em luta. Luta pela vida, pela ¬ęvida em abund√Ęncia, que se amplia al√©m das fronteiras da morte¬Ľ, como nos disse o Mestre.

 
Fardado, minhas armas são outras. Minhas armas são dentes para sorrir, mãos para afagar, braços para envolver, palavras para acalentar, ouvidos para ouvir, olhos para marejar. São armas para conforto, para compartilhar, para confraternizar Рcom os fraternos, ou seja, com os irmãos. Folhas de papel, folhas em branco esperando para serem escritas, folhas escritas esperando para serem lidas.

 
Somos seres muitos fr√°geis, feito poeira no vento. Como √© f√°cil perdermos a vida: um acidente fortuito a bordo de um autom√≥vel; uma emboscada, numa trincheira, uma arma de fogo que dispara; um exaltar de √Ęnimos que op√Ķe pessoas que tudo tinham para serem amigas.

 
Mas, como poeira no vento, pequenas part√≠culas de vida, podemos de fato alterar o curso da hist√≥ria mediante pequenos ou grandes gestos, atos, a√ß√Ķes, feitos. Como poeira no vento, podemos viajar soltos, leves, polinizando os caminhos com sementes de amor.

 
Este √© apenas mais um texto dentre tantos e tantos que certamente grassar√£o pela rede, jornais, revistas, r√°dios, televis√Ķes, mesas de bar e bancos escolares, de todo o mundo, em todo o mundo. Afinal, h√° muito por se comentar, muito a se debater e uma necessidade inequ√≠voca de se manifestar. Talvez para nos conscientizarmos, ainda que brevemente, de como somos apenas poeira no vento.

 
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* Escritor, economista, especialista en m√°rketing y en calidad de vida en el trabajo; empresario, consultor y catedr√°tico.

www.tomcoelho.com.br

 

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