Jul 31 2013
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OpiniónPolítica

Contra a direita que quer sequestrar o Brasil

Depois dos protestos multitudinários de junho, a conjuntura confluiu para um cenário nítido de polarização política e ideológica: está sendo disputado o destino do Brasil. Uma disputa na qual o grande capital, as oligarquias, a direita e a mídia articulam e unificam suas estratégias e se conectam com o capital financeiro internacional.

Com sua nostalgia colonial, querem sequestrar o Brasil e fazê-lo regredir à condição de entreposto da especulação e da agiotagem financeira.
Por outro lado, se v√™ um PT catat√īnico e sem iniciativa, que repete a mesma incapacidade dirigente evidenciada durante a crise do chamado ‚Äúmensal√£o‚ÄĚ. A realidade agora, por√©m, parece ainda mais complicada, porque o Partido mostra divis√Ķes comprometedoras – alguns personagens v√£o contra as prioridades pol√≠ticas do governo.
Em 2005 foi Lula, e não o PT, quem encabeçou a defesa do governo contra a tentativa de retrocesso neoliberal. Na presente conjuntura, Dilma [e não o PT, outra vez] assumiu a primazia política, e com importantes respostas programáticas.
Est√° claro que o principal objetivo da oposi√ß√£o foi instrumentalizar os protestos para esga√ßar o governo Dilma, Lula e o PT. √Č ilus√£o pensar que tivessem compromisso com a moraliza√ß√£o da pol√≠tica ou com o aperfei√ßoamento republicano.
Torpedear a Assembl√©ia Constituinte e o plebiscito da reforma pol√≠tica foi mais que uma op√ß√£o t√°tica da direita; era requerimento estrat√©gico da sua pol√≠tica. As ruas j√° tinham fornecido o substrato para uma narrativa desgastante do governo, e por isso suas vozes j√° n√£o importavam. O essencial, ent√£o, era hierarquizar e enquadrar a agenda das ruas na ‚Äúrep√ļblica parlamentar‚ÄĚ, dom√≠nio seguro das elites onde se pactuam os arreglos e consensos entre as diversas fra√ß√Ķes da classe dominante, e onde se bloqueiam as mudan√ßas democr√°ticas e populares.
O espa√ßo de discuss√£o sobre as urg√™ncias do pa√≠s foi deslocado da arena p√ļblica para o Parlamento e para as editorias dos grupos midi√°ticos. E o debate p√ļblico foi emoldurado em par√Ęmetros neoliberais de cr√≠tica √† condu√ß√£o econ√īmica e √† gest√£o do Estado brasileiro frente √† crise mundial.
A atual crise do capitalismo √© uma das piores de toda a hist√≥ria. As crises capitalistas s√£o momentos de acentuada competi√ß√£o para o reposicionamento competitivo entre diferentes pa√≠ses, setores econ√īmicos e classes. Provocam o deslocamento intra-capitalista de renda, riquezas e, em especial, de poder. O Brasil, como s√©tima economia e polo din√Ęmico na economia mundial, √© alvo √≥bvio das tens√Ķes internacionais, com o capital estrangeiro se articulando com seus nexos dom√©sticos nessa sanha especulativa.
Gra√ßas √† condu√ß√£o heterodoxa da economia, o pa√≠s tem resistido razoavelmente a essa feroz crise. N√£o sacrifica empregos, direitos e desenvolvimento e, al√©m disso, preserva e amplia as conquistas materiais e culturais dos √ļltimos 10 anos. O governo n√£o compensa a redu√ß√£o do lucro do capital causada pela crise especulativa suprimindo direitos sociais para transferir renda ao rentismo. Por isso, √© amaldi√ßoado. O veto ao fim da multa de 10% do FGTS para proteger os empregos dos trabalhadores e o financiamento da pol√≠tica habitacional, bem demonstra essa op√ß√£o.brasil protestas
Em crises menos graves [1998], o Brasil governado por aqueles que hoje promovem uma oposi√ß√£o fascista colapsou. Os servi√ßos p√ļblicos foram sucateados, a ind√ļstria destru√≠da, os empregos esfuma√ßados, o patrim√īnio p√ļblico dilapidado e as riquezas do pa√≠s transferidas √† orgia financeira internacional via juros indecentes.
Os ataques que fazem √† pol√≠tica econ√īmica s√£o para criar um clima artificial de instabilidade e de ‚Äúfim de linha‚ÄĚ. Criam um ambiente in√≥spito √† reelei√ß√£o [e consequente continuidade] do PT no governo. Os neoliberais querem, a todo custo, retomar em 2014 seu projeto conservador de poder.
A direita tem sido eficiente e unida. Unifica n√£o somente o conjunto da oposi√ß√£o, mas tamb√©m magnetiza setores da coaliz√£o de governo. Explora as contradi√ß√Ķes do PT: demoniza diariamente o Secret√°rio Nacional do Tesouro, mas incensa o Ministro das Comunica√ß√Ķes nas p√°ginas amarelas da revista Veja por suas posi√ß√Ķes ‚Äúp√≥s-petistas‚ÄĚ. Veta Henrique Fontana para coordenar a comiss√£o da reforma pol√≠tica da C√Ęmara dos Deputados, pois confia nas posi√ß√Ķes ‚Äúp√≥s-petistas‚ÄĚ do C√Ęndido Vacarezza.
Na base do governo, a fragmenta√ß√£o baseada em c√°lculos eleitorais imediatistas √© √ļtil ao ascenso da direita, mas n√£o atenta √† complexidade da conjuntura. Se o pr√≥prio PT n√£o se unir na defesa de Dilma e na sustenta√ß√£o das pol√≠ticas por ela alinhadas, ser√° muito dif√≠cil ‚Äď sen√£o imposs√≠vel ‚Äď convencer os aliados tradicionais [PDT, PSB, PCdoB e esquerda social] a se unirem contra o retrocesso neoliberal no Brasil. O PT tem, nessa circunst√Ęncia, uma responsabilidade diferenciada.
Para financiar os pactos propostos por Dilma para a sa√ļde, educa√ß√£o e mobilidade urbana, √© necess√°rio abrir um grande debate nacional sobre a taxa√ß√£o das grandes fortunas, do capital especulativo e avan√ßar na progressividade tribut√°ria e levar o centro do debate no Congresso Nacional.
A democracia continuar√° aleijada [e manietada] se n√£o existir pluralidade e diversidade dos meios de comunica√ß√£o no pa√≠s. √Č urgente um pacto nacional pela diversidade e pluralidade da informa√ß√£o, da produ√ß√£o e da difus√£o da riqueza cultural do pa√≠s que n√£o cabe nas telas das emissoras de um punhado seleto de fam√≠lias e igrejas.
A moraliza√ß√£o da pol√≠tica e o enfrentamento da corrup√ß√£o n√£o ser√° realidade sem mecanismos de controle social e de democracia participativa no sistema pol√≠tico e na gest√£o p√ļblica. A reforma pol√≠tica √© a maior das prioridades e a principal das urg√™ncias do pa√≠s. A direita n√£o quer realiz√°-la ‚Äď seja com ou sem plebiscito. A luta pela convoca√ß√£o de uma Assembl√©ia Nacional Constituinte para realizar a reforma pol√≠tica, na presente circunst√Ęncia, pode ser o motor para uma ampla mobiliza√ß√£o popular.
O Brasil está numa encruzilhada. Seu destino está sendo disputado a partir de perspectivas contrapostas, irreconciláveis. Conhecer e assumir com clareza o lado certo nessa disputa é um requisito fundamental. Devotar as melhores energias na sua defesa é uma exigência imprescindível.n

*Publicado e

 

 

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