Ago 10 2014
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OpiniónPolítica

Em 2048 suplicaremos a Palestina

A estupidez avança irrefreável no território que já foi o Estado palestino até 1948. Se os EUA e a Europa não atuarem decididamente sobre Israel, a realidade evoluirá para a dizimação da Palestina.

O conflito do Oriente Médio é o principal do mundo, em torno do qual giram as possibilidades de paz e estabilidade mundial. O mundo não terá paz e tampouco será seguro enquanto subsistir aquela realidade: em torno do conflito se articula um dos componentes bélicos estruturantes da geopolítica do pós-Guerra.

Uma questão que diz respeito ao mundo inteiro, mas que, paradoxalmente, sua resolução depende basicamente da ação de duas potências: EUA e Europa, em especial a Inglaterra.

A ONU n√£o somente n√£o tem for√ßa e poder para aglutinar os consensos necess√°rios e imp√ī-los na vida real, como sucessivas resolu√ß√Ķes desde 1967 s√£o sistematicamente descumpridas por Israel, com a cobertura dos EUA e da Europa.

Mesmo fora da lei internacional, Israel n√£o s√≥ n√£o sofre san√ß√Ķes, como segue recebendo milion√°ria ajuda norte-americana para o massacre dos palestinos.

Essa ‚Äújanela‚ÄĚ no direito internacional tem permitido a Israel desenvolver, ao longo das √ļltimas d√©cadas, a estrat√©gia persistente de expans√£o do dom√≠nio territorial √†s custas do direito de exist√™ncia do Estado palestino.

Atualmente, Israel ocupa uma √°rea muitas vezes superior ao territ√≥rio originalmente destinado para sua instala√ß√£o em 1948. Com a invas√£o territorial, reduziu quase 80% da superf√≠cie da Palestina e fragmentou o pa√≠s em duas √°reas incomunic√°veis ‚Äď Gaza e Cisjord√Ęnia ‚Äď, dois Auschwitz afastados por centenas de quil√īmetros.

A atual estrat√©gia israelense √© guiada por uma pol√≠tica fan√°tico-religiosa. Nessa etapa, promove a guerra total; o massacre de exterm√≠nio de parcelas significativas do povo palestino ‚Äď matando-os diretamente, ou aumentando a di√°spora de um povo na sua maioria j√° tornado ap√°trida.

Os palestinos assistem à devastação do país, da cultura e da sua tradição. Suportam, ainda, a cínica imputação de que pretendem destruir Israel, e que por isso são atacados. E, pura metáfora cruel, são submetidos ao martírio mais abjeto que qualquer ser humano pode sofrer, tal qual aquele perpetrado pelos nazistas contra os judeus.

O patamar atingido pelo conflito traz dificuldades consider√°veis. A realidade √© desalentadora. √Č dif√≠cil vislumbrar solu√ß√£o aceit√°vel e pass√≠vel de media√ß√£o. E parece improv√°vel uma solu√ß√£o equilibrada e justa.

A continuidade da din√Ęmica atual far√° a situa√ß√£o descambar para o terreno da imponderabilidade, um mergulho √†s cegas na barb√°rie. As pot√™ncias mundiais t√™m a obriga√ß√£o de fazer algo imediatamente para deter essa loucura.

A destruição material da Palestina é devastadora, e obviamente marcará para sempre a história palestina, geração após geração. Mas a humilhação, a dor, a segregação, os assassinatos sistemáticos de homens, mulheres e crianças abrem feridas profundas e ressentimentos que podem tornar irreconciliável a convivência entre os dois povos.

O fanatismo religioso implode as possibilidades de paz com a loucura de um Estado confessional. No atual estágio dos acontecimentos, é duvidosa a viabilidade das alternativas historicamente cogitadas, que tinham como premissa a coexistência pacífica de Israel e Palestina, de palestinos e israelenses.

A proposta de um Estado e duas na√ß√Ķes, por exemplo, h√° muito se tornou incogit√°vel. A cria√ß√£o de dois Estados para dois povos tamb√©m se torna remota, porque [1] requereria a restitui√ß√£o do mapa de 1967, e [2] a desconfian√ßa m√ļtua ensejaria um alt√≠ssimo grau de militariza√ß√£o e belicismo.

O futuro comporta, portanto, desfechos tem√≠veis. A hip√≥tese mais otimista, paradoxalmente, √© a da Palestina fragmentada em duas √°reas apartadas e debilitadas ‚Äď Gaza e Cisjord√Ęnia ‚Äď encravados no territ√≥rio invadido por Israel. Ou, numa perspectiva radical, a derrota da Palestina acompanhada do seu exterm√≠nio.

Se não houver um esforço verdadeiro e decidido para deter a espiral destrutiva perpetrada por Israel, o século 21 ficará maculado com esse bárbaro crime. Em 2048, no centenário da criação de Israel, a Palestina então existirá somente nos livros de História.

O fanatismo delirante de Benjamim Netanyahu em nada fica devendo ao de Osama Bin Laden. Ambos pertencem à classe dos monstros terroristas.

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