Mar 8 2013
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EconomíaOpinión

Estabilidade ou promiscuidade na carreira?

promisUma das maiores dificuldades atuais das empresas está na chamada retenção de talentos. Após investirem em recrutamento, seleção e treinamento de seus profissionais, assistem a muitos deles se desligarem seduzidos que são ora por um salário maior, ora por benefícios, ora pelo status conferido pelo nome da organização ou pelo título do cargo oferecido. | TOM COELHO.*

 

“Os líderes de amanhã sabem compartilhar o poder,
a informa√ß√£o e o compromisso.‚ÄĚ

Fl√°vio Kosminsky.

 

Acrescente-se a este aspecto a cren√ßa propalada, em especial a partir do ano 2000, de que uma carreira de sucesso constr√≥i-se atrav√©s de m√ļltiplas experi√™ncias profissionais em diferentes companhias.

 

Houve um tempo em que o profissional confiável e competente era aquele que não passava por mais do que uma ou duas empresas até sua aposentadoria.
Hoje isso é visto como sintoma de acomodação, apontando para obsolescência, aversão ao risco, falta de dinamismo e ambição.

 

Abomino r√≥tulos, generaliza√ß√Ķes e paradigmas. Verdades absolutas, tidas inquestion√°veis, que obscurecem o pensamento, turvam a raz√£o. Onde est√° escrito que esta rotatividade de empregos √© necess√°ria ou mesmo saud√°vel? Por que n√£o podemos edificar uma carreira auspiciosa atuando em uma mesma organiza√ß√£o, onde conhecemos as pessoas e o ambiente, assimilamos e nos alinhamos √† sua cultura, alcan√ßamos prest√≠gio, al√©m de estabilidade e ac√ļmulos salariais?
 

 

Estamos equivocadamente ensinando aos nossos jovens que uma carreira s√≥lida demanda promiscuidade corporativa, quando o que entorpece e definha o profissional √© sua estagna√ß√£o. √Č parar no tempo, realizar as mesmas tarefas, deixar de estudar e de aprender. E isso pode acontecer mesmo pululando de uma empresa para outra.

 

Para alcançar o topo da hierarquia, o que vale a pena perseguir é a mobilidade horizontal, conhecendo a companhia integralmente, militando em diversas áreas, compreendendo a sinergia entre os departamentos. No caso de empresas de grande porte, há ainda a possibilidade de migrar para filiais ou outras empresas do grupo, inclusive no exterior. O fato é que enquanto houver desafios e satisfação pessoal, não há motivos para se mudar de emprego.

 

Todavia, se a mudan√ßa for fruto de decis√£o madura decorrente de falta de reconhecimento, clima organizacional desgastado, cabe√ßa batendo no teto ou por for√ßa de proposta irrecus√°vel, assegure-se de que, quando o entusiasmo arrefecer e a rotina se instalar, a nova empresa n√£o se mostre uma aut√™ntica ‚Äúamante argentina‚ÄĚ, cerceando sua autonomia, eliminando privil√©gios e exigindo o comprometimento que um dia voc√™ n√£o p√īde ou n√£o soube honrar.
‚ÄĒ‚ÄĒ
* Educador, conferencista e escritor.
Visite: www.tomcoelho.com

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