Nov 5 2014
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Pol铆tica

Dilma e a c贸lera conservadora

A c贸lera conservadora contra o governo Dilma 茅 um subproduto do 贸dio e do preconceito contra os pobres. E 茅 uma escolha insensata e perigosa.
A hist贸ria ensina que governos progressistas 鈥 em qualquer parte do mundo 鈥 devem se precaver da col茅rica resist锚ncia conservadora. Sentimentos odiosos substituem o embate pol铆tico racional e a argumenta莽茫o program谩tica. Rea莽玫es racistas, segregacionistas e de preconceito contra os pobres corrompem o ideal de na莽茫o plural e democr谩tica. E a intoler芒ncia se converte no m茅todo de conduta em rela莽茫o aos diferentes e 脿s diferen莽as.

Na oposi莽茫o a governos de esquerda, a direita combina uma esp茅cie de extremismo ideol贸gico talib茫 com terrorismo midi谩tico e econ么mico. O fundamentalismo 茅 proporcional 脿 percep莽茫o de amea莽a aos privil茅gios e poderes da classe dominante, que n茫o abdica inclusive de pol铆ticas totalit谩rias, se essas forem indispens谩veis para derrubar governos que tentam promover mudan莽as distributivas e a igualdade social. A hist贸ria 茅 farta de exemplos.

Nos anos 1950, a oposi莽茫o udenista levou Get煤lio ao suic铆dio para sabotar o projeto nacional-desenvolvimentista. Na continuidade, em 1964 deram o golpe civil-militar para derrubar Jango e bloquear as reformas de base.

No hemisf茅rio americano se observa a tend锚ncia desestabilizadora e golpista da direita inconformada frente a governos progressistas. Sempre com o apoio, financiamento e, n茫o raramente, com a implica莽茫o direta da pot锚ncia estrangeira do Norte. Em alguns casos, ao custo de genoc铆dios e terrorismos de Estado, como na Argentina e Chile nos anos 1970 e em v谩rios pa铆ses centro-americanos na d茅cada de 1980.

A direita evoluiu e sofisticou seus m茅todos. O chamado 鈥済olpe institucional, no marco da Lei鈥 [sic] 茅 o codinome do neogolpismo no s茅culo 21. No neogolpismo, a brutalidade das armas d谩 lugar ao terror midi谩tico e econ么mico e ao extremismo ideol贸gico para desestabilizar governos eleitos democraticamente. As experi锚ncias nesse s茅culo foram os 鈥済olpes constitucionais鈥 desfechados com 锚xito no Paraguai e Honduras; e tentados, por茅m, frustrados, na Venezuela, Bol铆via e Equador.

No Brasil os interesses contrariados pelas urnas no 26 de outubro come莽am a se aglutinar em torno do objetivo estrat茅gico de derrubar a Presidenta Dilma, antes mesmo dela tomar posse para exercer o segundo mandato. Adotam a t谩tica da confronta莽茫o permanente, do combate 鈥渟em tr茅gua鈥 em todas as frentes: nas ruas e nas institui莽玫es.

Apenas dois dias depois da elei莽茫o, para deslegitimar o resultado eleitoral, o PSDB pediu auditoria da totaliza莽茫o dos votos baseando-se n茫o em ind铆cios materiais, mas 鈥渆m coment谩rios nas redes sociais鈥 [sic]. Estimulado por iniciativas como essa, o reacionarismo sai 脿s ruas para expressar inconformidade [e raiva] com a vit贸ria de Dilma e clamar por um golpe militar!

O deputado Eduardo Cunha, do mesmo partido que o vice-presidente da Rep煤blica, articula com a oposi莽茫o uma alian莽a para a presid锚ncia da C芒mara tendo como plataforma: [ i] encarnar o 鈥淔ora PT!鈥, [ii] colocar os interesses do Legislativo acima dos interesses do Executivo, e [iii] prover 脿 oposi莽茫o, mesmo em minoria, 鈥渁 prote莽茫o dos escudos do regimento interno e da Constitui莽茫o鈥 [UOL]. O impeachment 茅 um dispositivo da minoria amparado nos 鈥渆scudos do regimento interno e da Constitui莽茫o鈥.

A elei莽茫o foi extremamente acirrada e politizada. Nela, o povo escolheu Dilma e decidiu aprofundar e radicalizar as mudan莽as que modernizam e humanizam o pa铆s. A direita, inconformada, n茫o aceita a elei莽茫o da Dilma e se insurge contra as mudan莽as decididas pelo povo brasileiro. A rea莽茫o 脿s mudan莽as 茅 indisfar莽谩vel. A direita n茫o quer permitir o surgimento do novo; luta para manter intactas as velhas estruturas, o velho regime e suas institui莽玫es arcaicas.

O STF, por exemplo, ao inv茅s de se sintonizar com os tempos atuais e liderar um projeto de reforma para modernizar o Poder Judici谩rio acabando com a vitaliciedade do mandato dos ministros e mudando a forma de nomea莽茫o para a Suprema Corte, agora retoma a esdr煤xula proposta da emenda constitucional da 鈥渂engala鈥, que aumenta para 75 anos a idade de aposentadoria compuls贸ria. Pela Constitui莽茫o atual, 鈥渃inco excel锚ncias鈥 do STF se aposentam aos 70 anos pela compuls贸ria at茅 2016, e seus substitutos ser茫o indicados pela Presidenta Dilma, o que configuraria um risco do 鈥淪TF se converter em uma corte bolivariana鈥, nas palavras do ministro tucano Gilmar Mendes [FSP].

A vit贸ria da Dilma n茫o foi somente eleitoral, com 3.459.963 votos de vantagem. Foi, sobretudo, uma vit贸ria pol铆tica e program谩tica dos crit茅rios, agendas e perspectivas da esquerda. Na elei莽茫o mais politizada dos 煤ltimos tempos, o povo brasileiro escolheu radicalizar as mudan莽as que modernizam o pa铆s. Por isso, 茅 f谩cil compreender o novo padr茫o da luta pol铆tica imposto pela direita brasileira, que reage colericamente diante de qualquer esfor莽o distributivo de renda.

A c贸lera conservadora contra o governo Dilma 茅 um subproduto do 贸dio e do preconceito contra os pobres. E 茅 uma escolha insensata e perigosa, que pode provocar a ira leg铆tima da maioria do povo brasileiro que tem 芒nsia de mudan莽as, direitos e liberdade, e que n茫o ficar谩 passivo ante as amea莽as 脿 supremacia da vontade popular.

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